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ONU precisa de cerca de US$ 600 milhões para travar colapso humanitário no Afeganistão

Update Time:2021.09.08 Source: Clicks:69

 Emergência piorou após tomada de Cabul pelo Talibã em 15 de agosto; país está na iminência de seca e fome; custo de vida dispara, inflação aumenta e moeda desvaloriza; Unicef atua para reunir centenas de menores a famílias no exterior. 

 

 

 

 

As Nações Unidas mobilizam a comunidade internacional numa conferência de doadores, em 13 de setembro, que visa arrecadar cerca de US$ 600 milhões para ajudar o Afeganistão até o final do ano. 

O Escritório de Assistência Humanitária, Ocha, lançou um apelo de emergência para atender as necessidades de 11 milhões de afegãos. Além de sofrerem com atual situação de segurança, eles estão na iminência de seca e fome. 

Doadores 

Uma nota lançada em Genebra realça que “os serviços básicos estão entrando em colapso e a comida e outros insumos essenciais prestes a acabar”. O pedido aos doadores é que apoiem o novo apelo de forma rápida e generosa. 

Crianças em Shade Bara, em Herat, no Afeganistão, uma das províncias mais afetadas pela seca.
Pnud/S. Omer Sadaat
Crianças em Shade Bara, em Herat, no Afeganistão, uma das províncias mais afetadas pela seca.

 

Mais de meio milhão de pessoas foram deslocadas durante a ofensiva pelo país, que culminou com a tomada da capital Cabul pelo Talibã em 15 de agosto. 

Desde a data, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, revelou haver cerca de 300 crianças afegãs desacompanhadas que foram evacuadas da capital afegã.  

A agência destacou que muitas mais foram separadas de seus pais por causa da situação. Pelos cálculos da diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, o número deverá aumentar em meio aos esforços contínuos de identificação." 

Governos 

O foco da atuação do Unicef é rastrear e juntar os menores às famílias. Até o momento, pelo menos 100 crianças foram beneficiadas pela iniciativa que coordena a ação com os governos. 

Uma criança caminha por um campo temporário montado em Cabul depois que sua família foi deslocada devido à insegurança em todo o Afeganistão
© Unicef Afeganistão
Uma criança caminha por um campo temporário montado em Cabul depois que sua família foi deslocada devido à insegurança em todo o Afeganistão

 

Com parceiros, o Unicef começou a registrar as pessoas saindo de avião de Cabul em 14 de agosto. Algumas deixaram o Afeganistão para nações como Estados Unidos, Alemanha, Catar e outras. 

Em meio à crise, a Organização Internacional para Migrações, OIM, relata que entre as várias preocupações atuais do Afeganistão está a “incerteza em torno das receitas enviadas por migrantes”. 

As dificuldades financeiras afetam o fluxo do que se considera “uma fonte vital de finanças”, na sequência do congelamento pelos Estados Unidos de US$ 7 bilhões em reservas afegãs.  

O Fundo Monetário Internacional, FMI, cortou os financiamentos ao país, incluindo centenas de milhões de dólares em Direitos Especiais de Saque. Estes valores podem ser convertidos em moeda em tempos de crise.  

Financiamento 

Apesar da retomada do sistema bancário no final de agosto no Afeganistão, o Banco Central só pode ter acesso a uma fração de seu financiamento normal.  

Muitas famílias afegãs foram deslocadas quando o Talibã avançou sobre Cabul
© Acnur/Yama Noori
Muitas famílias afegãs foram deslocadas quando o Talibã avançou sobre Cabul

 

Com os cofres dos bancos sem capacidade de recarregar facilmente, “os caixas eletrônicos ficaram sem dinheiro e foram estabelecidos novos limites de retirada”.  

A situação acontece num momento em que disparam os preços de bens essenciais, aumenta a inflação, desvaloriza a moeda e intensifica a emergência humanitária aumentando os receios de escassez de alimentos em todo o país 

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, aponta como um dos exemplos desse cenário “os milhões de afegãos que na zona rural  dependem da agricultura para a subsistência e segurança alimentar familiar.” 

Interrupções  

A FAO destaca que 70% da população do país vive no campo e a agricultura gera 25,5% do Produto Interno Bruto, PIB.   

Deslocados pela insegurança no Afeganistão abrigados em um acampamento na província ocidental de Herat
OIM/Muse Mohammed
Deslocados pela insegurança no Afeganistão abrigados em um acampamento na província ocidental de Herat

 

O setor emprega diretamente 45% da força de trabalho beneficiando direta ou indiretamente 80% da população afegã. 

Dados da agência revelam que a insegurança alimentar afeta um terço dos afegãos e a nova situação de segurança está causando interrupções significativas. 

Além da pouca disponibilidade de dinheiro e do acesso limitado aos mercados, faltam insumos agrícolas, crédito e mão de obra.  

O trigo é fonte básica de calorias para mais da metade da população afegã e a produção dos próximos meses enfrenta riscos.